
Obviamente que o título desse texto é uma provocação. Sim, provocação porque Lebron James – do Cleveland Cavaliers – tem dado um show de liderança. Especialmente no jogo 3 das finais da NBA, quando a série foi para Cleveland e a equipe de Lebron necessitava da vitória a todo custo.
O atleta entrou na quadra batendo no peito e dizendo: “venham comigo, me sigam!”. A vitória esmagadora do Cleveland sobre os Warriors certamente foi o resultado da raça e capacidade de liderança e polarização desse atleta que passou confiança ao grupo e contagiou positivamente os colegas de time.
Do outro lado dos Estados Unidos, um time de futebol comandado pelo Dunga goleou a equipe (quase amadora) do Haiti: uma equipe formada por enfermeiros, porteiros, funcionários públicos e diversos outros profissionais que jogam futebol como segunda ocupação.
Na televisão, Galvão Bueno, aos brados, celebrava cada gol brasileiro como se fosse uma final de Copa contra uma grande nação. Casagrande também deu uma imensa bola fora ao dizer que “o time finalmente estava jogando com agressividade”. Se alguém acreditou, não sei. Só sei que o espetáculo foi patético. Especialmente o 7 a 1 que também ficará para a história como “o dia em que levamos um gol do Haiti” e nada mais.
De volta a NBA, Lebron demonstrou o sentido real e prático de como se liderar um time. Exerceu seu poder de comunicação e influência – motivou e empolgou os atletas do Cleveland e levantou a torcida que lotou o ginásio da equipe. Foi um espetáculo antológico, uma lição para todos os que desejam compreender, na ação esportiva, o real significado e importância de um líder de verdade.
Já o time do Dunga aparentemente não demonstra a presença de lideranças dentro de campo. Aliás, Dunga parece ainda viver os tempos de colégio quando os capitães que escolhiam os times eram (e ainda são) sempre os melhores tecnicamente da instituição.
No caso da equipe brasileira, Neymar é o eleito por Dunga para ser o capitão, mesmo sem apresentar características comportamentais (controle emocional, psicológico, comunicação, equilíbrio interno etc). para exercer essa função. A quantidade de cartões amarelos e vermelhos de Neymar nos jogos da equipe brasileira aponta para esse conjunto de observações. Na ausência de Neymar, Dunga escolheu Daniel Alves para ser o capitão. Mais uma vez, um belo tiro no escuro.
Por fim, a NBA conta com departamentos de psicólogos e coaches desportivos de grande qualidade – com formação teórica e prática, especialização e conhecimento do esporte que atuam. Eles auxiliam no mapeamento de personalidade dos atletas e nas características psicológicas e emocionais esportivas dos atletas – tanto individual como coletivamente. Além disso, promovem trabalhos de acompanhamento psicológico durante toda a temporada.
Na CBF, Dunga escolheu um engenheiro motivador.
Ponto final.
Sempre leio e acompanho seus comentários e cada vez mais tenho a certeza de que a Seleção brasileira está entregue a dirigentes e técnicos de futebol amadores e por isso a consequência dos últimos resultados…