
Dunga consegue acumular, de uma só vez, todas as características que um treinador de futebol não pode – nem deve – ter e demonstrar: falta de liderança efetiva, ausência de carisma, falta de atualização diante das ciências da preparação esportiva, pouca ou rara experiência como treinador de futebol e, para temperar ainda mais esse caldo indigesto, é teimoso que só ele.
Quem não se lembra daquela tarde de domingo, na Copa de 2010, quando fomos eliminados pela Holanda de virada por 2 a 1. Após a apito final, Dunga foi direto para o vestiário e – em tempo algum – se lembrou de dar uma força para os atletas que, caídos no campo de jogo, choravam copiosamente após a eliminação daquele Mundial. E aí pergunto: isso é um comportamento esperado para uma liderança esportiva ou em qualquer outra área profissional que envolve o trabalho de grupos e equipes? A resposta me parece óbvia.
Essa equipe que o Dunga montou – sem cara nem estilo de jogo – absolutamente mal aproveitada, sem esquema tático definido, uma espécie de “Frankenstein”, como muito bem definiu um colega, não deverá ir muito longe no cenário do futebol internacional.
O que mais me impressiona é que, mesmo depois de um acidente histórico como aquele 7 a 1, os cartolas da CBF insistem nesses nomes ultrapassados e que já provaram e comprovaram que não tem a menor condição de administrar uma equipe com o porte e a história da Seleção Brasileira.
Os erros começam logo na direção da CBF (vale sempre lembrar que o presidente da entidade na época do 7 a 1 hoje está preso). Esse mesmo presidente afirmou que a derrota para a Alemanha foi um “apagão” da equipe – demonstrando toda a superficialidade na análise de uma hemorragia que vinha dando sinais há mais de 15 anos.
Por fim, e não menos importante, Dunga se mostrou veementemente contrário ao trabalho psicológico na Seleção. Afirmou o digníssimo comandante: “não sei para quem o profissional vai contar o que escutou dos jogadores que viajaram 11 horas para se apresentar na Seleção”.
Prefiro nem comentar a fala do Dunga. Não vale a pena. Reforço, apenas, que a Alemanha tem 16 psicólogos do esporte que trabalham próximos ao Dr. Hans Dieter (braço direito do treinador da seleção alemã). Eles desenvolvem esse trabalho desde 2002. Os resultados estão aí.
A Seleção Brasileira me parece um caos político, econômico, esportivo e da mais profunda ignorância por todos aqueles que lá estão.
Por hora, recomendo assistirem as finais da NBA. Certamente é muito mais prazeroso do que assistir o “catadão do Dunga” empatando com o Equador de 0 a 0 e agradecendo o árbitro pela ajuda ao não validar o frango legítimo de nosso nobre goleiro.