
Prezado Edu Gaspar,
Acompanhei suas declarações essa semana sobre a não participação de psicólogos do esporte na Comissão Técnica da Seleção Brasileira. Até aí, nada de muito novo. Afinal, o futebol nesse país insiste em andar para trás. O que mais me assustou, no entanto, foram as declarações de que “não temos psicólogos com ênfase no esporte no Brasil”. E aí, Edu, foi uma “bola fora” tremenda da sua parte.
Já escrevemos juntos, aqui mesmo na GE.Net – quando você atuava no Arsenal e, certamente, conheceu o trabalho de diversos psicólogos esportivos europeus. Devo te dizer que, no Brasil, temos excelentes profissionais na área.
Aqui na Associação Paulista da Psicologia do Esporte, já formei mais de mil profissionais nessa área. Dezenas deles atuam – com sucesso – em clubes de diversas modalidades esportivas. Temos também a ABRAPESP (Associação Brasileira da Psicologia do Esporte) com diversos profissionais capacitados para assumir o posto de psicólogo esportivo na Seleção Brasileira. A SOBRAPE (Sociedade Brasileira de Psicologia do Esporte) contribui igualmente com brilhantes profissionais que poderiam muito bem assumir um trabalho sério, ético e científico na entidade. No Norte e Nordeste, temos profissionais absolutamente brilhantes na área – inclusive ministrando cursos de pós graduação na área. No Sul e Sudeste do país, também há cientistas, pesquisadores e profissionais atuantes no esporte.
Enfim, caro Edu, a gente sabe (eu, você e mais um monte de gente por aqui) que o futebol só sairá do lugar se todos nós trabalharmos juntos numa mesma direção. Para isso, o futebol precisa de gente que pense para frente, de forma moderna e atualizada e você sempre foi um cara que primou por isso. Desde os tempos em que era jogador na Inglaterra – até seu retorno ao Brasil como jogador e, posteriormente, como gestor do Corinthians. Não posso acreditar que você não se atualizou diante da necessidade de se atuar com as emoções de forma apropriada no futebol.
Creio que até conheceu nosso laboratório de alto rendimento mental na USP – onde atuamos com vários jogadores de futebol. Há a ciência e a tecnologia a serviço da Psicologia do Esporte. Técnicas como treinamento de realidade virtual, biofeedback e neurofeeback são amplamente utilizadas em nosso laboratório – bem como em diversos países do mundo em que o futebol não tem esse apelo todo que possui por aqui.
Por fim, Edu, desejo de coração que você comece uma vida longa na Seleção junto com o Tite que é uma liderança fundamental que tanto precisamos para reerguer o futebol brasileiro.
Se faltou informação nas suas declarações sobre a área – agora não falta mais.
Boa sorte!
Atenciosamente,
Prof. Dr. João Ricardo Cozac
Bem observado Dr João Ricardo, parece que quando alguns “profissionais” do nosso futebol pisam na CBF com algum cargo, começam a desfilar pérolas. Não tivemos recentemente alguns jogadores que choravam depois de partidas, diziam coisas absurdas depois de um jogo particularmente nervoso, Será que no caso o Tite não está acumulando esta função, já que ele é por definição um técnico psicológico…, suas entrevistas são pautadas com simbolismos e com abrangências que desafiam o tradicional em um técnico de futebol brasileiro. Né Professor!!!
Concordo plenamente com seus sempre inspiradores textos, João.
Realmente como havia lhe falado fiquei impressionado com as declarações. Além do que o Edu, fazia este papel das famosas e tristes nomenclaturas que desmistificam o verdadeiro significado da Psicologia em nosso país, no Sport Club Corinthians Paulista, onde ele era quem era o interlocutor entre Atleta X Técnico x Direção, ou seja, fazia o papel que muita gente por ai criou no senso comum como o que cuida das “Relações Humanas”, mas sem nenhum tipo de conhecimento especifico.
Os profissionais da psicologia não cuidam somente de transtornos graves de personalidade e muito menos ficam apenas sentados na frente de seus pacientes dentro do consultório, cuidando de “loucos” como muito se ouve por ali, o papel do psicólogo e auxiliar as pessoas e instituições a desenvolverem suas principais dificuldades de forma humana, sem desconsiderar os valores pessoais, religiosos e políticos, ou seja, cuidar da parte biopsicossocial de todos, pois antes de qualquer instituição existem pessoas, que tem suas dificuldades, desejos e manias, e que nem sempre se tem consciência do por que se tomam tais atitudes.
O que precisa no Brasil é uma reeducação de cunho nacional, do verdadeiro papel da psicologia e da profissão psicólogo, muito estigmatizada por tratar daquilo que se tem mais dificuldade, que é o sofrimento da alma, falar aquilo que dói e muitas vezes não se sabe o por que….
Abração.
Falta de preparo pra colocar a psicologia nos esportes.
O prof. CARVALHAES foi o psicólogo da seleção braseleira campeã. Em 1958. Há exatos 58 anos. O seu país do Edu Gaspar nem namoravam.
.É válido aproveitar a experiência de um jogador para dar continuidade a um trabalho específico dentro do clube no qual terminou a carreira?Milton Cruz e Gino Orlandi no SPFC foram dois clássicos exemplos e de larga duração,mas tanto um como o outro não exerciam e nem tinham a responsabilidade de qualquer gestão na área da psicologia.Que conhecimentos acadêmicos,intelectuais e de experimentação na área da psicologia possuem Alessandro (ex-lateral) e Edu Gaspar?O pior é que os clubes cometem estes erros por falta de discernimento e a CBF os importa tal qual.