
Gostaria de chamar a atenção – mais uma vez – sobre a questão do desequilíbrio psicológico e emocional marcante nas duas equipes. O Palmeiras entrou em campo visivelmente hiperativado – com a motivação e ativação interna visivelmente exageradas e fora dos níveis seguros e saudáveis para o bom rendimento dos atletas. Já, o Corinthians, parece ter entrado em campo numa região de ativação completamente oposta. O time de Parque São Jorge estava desconcentrado, com baixo foco de atenção e, na gíria do futebol, “desligado no jogo”.
O descontrole emocional do Palmeiras – o excesso de pilha – foi, aos poucos, contagiando os jogadores do Corinthians e atuando contra os comandados de Felipão. Aliás, após o abraço amigo dos atletas antes da partida e os cartazes de paz e fraternidade mostrado pelos atletas, o que se viu no início de jogo foi uma verdadeira batalha campal – uma guerra quase sempre desleal e 45 minutos de jogo truncado, faltoso, desinteressante em que o futebol praticamente não existiu.
Do lado do Palmeiras, uma vez mais, vale ressaltar que o trabalho de análise de perfil psicológico dos atletas me parece incompleto diante das ferramentas que a Psicologia Esportiva pode oferecer para a ampliação do rendimento de grupos de diversas modalidades. Traçar os perfis, mapear as demandas e orientar o treinador é apenas a metade do caminho e, até onde acompanho, a metade seguinte (dinâmicas de grupo, acompanhamento de jogos, treinos, vestiários, palestras) simplesmente não ocorre.
No Corinthians o assunto, por hora, é proibido.
Quem perde com isso?
Os atletas, o grupo, o clube e, claro, o futebol.
Sempre me chamou a atenção a postura do Scolari diante do Corinthians. Apesar de gaúcho, de ter sido campeão com o Grêmio na metade dos anos 90, quando chegou no Palmeiras, encarnou um torcedor de organizada quando o assunto era o maior rival de então, o Corinthians (pelo histórico de jogos recentes decisivos entre os dois). Ele sempre está muito alterado nesses jogos, lembrando aquela atuação contra a Holanda (ele queria bater no Van Basten, que também teve culpa na violência dos holandeses) quando era técnico de Portugal, na Copa de 2006. Mas é visível que ele muda de comportamento e parece nítido que isso também influencia os jogadores.
No fim, mesmo tendo um grupo ligeiramente melhor que o do Corinthians (sempre apático), acabou derrotado por um time de um clube que ele passa a impressão de odiar. Pior pra ele? Nada! Os salários recentes de Scolari já lhe dão uma vida confortável. Amanhã ele reune o pessoal e repete as mesmas práticas (as boas e as ruins), e coloca as responsabilidades da derrota – todas – nos elementos técnicos e táticos (como ele sempre gostou de referir).
Redundancia seria enaltecer a análise.
Relato perfeito.
É muito triste constatar a infinita distancia entre “o que deve ser feito” e “o que se faz” nos bastidores do esporte e mais significativamente no futebol.
Mas caro João Ricardo: ” Água mole em pedra dura… !”
Abraço e parabéns.
Felipão surtou, tá delirando
o Palmeiras perdeu um jogo fácil, e o campeonato
por causa dele, de seu comportamento e postura
e agora prefere criticar o juiz, a federação, não sei mais quem
a culpa é toda Dele (e nossa q O glorificamos)
agora é preciso q Ele (Felipão) reconheça o desvario
se reequilibre, e retome o rumo
pra enfrentar o Coritiba e
seguir adiante na Copa do Brasil