Nervosismo e ansiedade foram adversários de Corinthians e Palmeiras

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press
Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press
Amigos, não vou entrar dentro de campo para comentar se Liedson deveria ou não ter sido expulso junto com Danilo. Se houve ou não falta em Kléber no primeiro tempo na entrada da área adversária – nem muito menos o esquema tático ( e discussão) dos treinadores ou a escalação de Paulo César Oliveira para arbitrar o jogo.

Gostaria de chamar a atenção – mais uma vez – sobre a questão do desequilíbrio psicológico e emocional marcante nas duas equipes. O Palmeiras entrou em campo visivelmente hiperativado – com a motivação e ativação interna visivelmente exageradas e fora dos níveis seguros e saudáveis para o bom rendimento dos atletas. Já, o Corinthians, parece ter entrado em campo numa região de ativação completamente oposta. O time de Parque São Jorge estava desconcentrado, com baixo foco de atenção e, na gíria do futebol, “desligado no jogo”.

O descontrole emocional do Palmeiras – o excesso de pilha – foi, aos poucos, contagiando os jogadores do Corinthians e atuando contra os comandados de Felipão. Aliás, após o abraço amigo dos atletas antes da partida e os cartazes de paz e fraternidade mostrado pelos atletas, o que se viu no início de jogo foi uma verdadeira batalha campal – uma guerra quase sempre desleal e 45 minutos de jogo truncado, faltoso, desinteressante em que o futebol praticamente não existiu.

Do lado do Palmeiras, uma vez mais, vale ressaltar que o trabalho de análise de perfil psicológico dos atletas me parece incompleto diante das ferramentas que a Psicologia Esportiva pode oferecer para a ampliação do rendimento de grupos de diversas modalidades. Traçar os perfis, mapear as demandas e orientar o treinador é apenas a metade do caminho e, até onde acompanho, a metade seguinte (dinâmicas de grupo, acompanhamento de jogos, treinos, vestiários, palestras) simplesmente não ocorre.

No Corinthians o assunto, por hora, é proibido.

Quem perde com isso?

Os atletas, o grupo, o clube e, claro, o futebol.

3 comentários

  1. Sempre me chamou a atenção a postura do Scolari diante do Corinthians. Apesar de gaúcho, de ter sido campeão com o Grêmio na metade dos anos 90, quando chegou no Palmeiras, encarnou um torcedor de organizada quando o assunto era o maior rival de então, o Corinthians (pelo histórico de jogos recentes decisivos entre os dois). Ele sempre está muito alterado nesses jogos, lembrando aquela atuação contra a Holanda (ele queria bater no Van Basten, que também teve culpa na violência dos holandeses) quando era técnico de Portugal, na Copa de 2006. Mas é visível que ele muda de comportamento e parece nítido que isso também influencia os jogadores.
    No fim, mesmo tendo um grupo ligeiramente melhor que o do Corinthians (sempre apático), acabou derrotado por um time de um clube que ele passa a impressão de odiar. Pior pra ele? Nada! Os salários recentes de Scolari já lhe dão uma vida confortável. Amanhã ele reune o pessoal e repete as mesmas práticas (as boas e as ruins), e coloca as responsabilidades da derrota – todas – nos elementos técnicos e táticos (como ele sempre gostou de referir).

  2. Redundancia seria enaltecer a análise.
    Relato perfeito.
    É muito triste constatar a infinita distancia entre “o que deve ser feito” e “o que se faz” nos bastidores do esporte e mais significativamente no futebol.
    Mas caro João Ricardo: ” Água mole em pedra dura… !”
    Abraço e parabéns.

  3. Felipão surtou, tá delirando
    o Palmeiras perdeu um jogo fácil, e o campeonato
    por causa dele, de seu comportamento e postura
    e agora prefere criticar o juiz, a federação, não sei mais quem
    a culpa é toda Dele (e nossa q O glorificamos)
    agora é preciso q Ele (Felipão) reconheça o desvario
    se reequilibre, e retome o rumo
    pra enfrentar o Coritiba e
    seguir adiante na Copa do Brasil

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