
Em nossa vivência escolar, como aluno de escolas públicas, inclusive no ensino médio (antigo colegial), tivemos a oportunidade de participar de aulas de Educação Física que, possivelmente, alguns de nossos leitores tenham tido as mesmas atividades pouco coerentes em nosso tempo.
Vamos a alguns dados. Tínhamos aulas em que, invariavelmente tinham início com o que chamamos de “ordem unida”. Tenho comigo um exemplar de autoria do professor Antonio Boaventura da Silva intitulado “Vozes de Comando” que explicitava todos os comandos para o desenvolvimento da “ordem unida”. Ao final das manobras comandadas pelo professor, e não precisava ou era um militar (embora houvesse esse profissional na escola em que estudei), terminávamos todos (apenas os meninos, afinal separar por sexo era a obrigação) de frente para o professor e em fileiras e colunas perfeitamente perfiladas. A seguir, tínhamos os exercícios de calistenia ou, quando muito, ginástica francesa balanceada. Certamente, muitos dos leitores sequer conheceram ou sabem da existência destes “ensinos”.
Pois bem, não havia a hipótese de “sair da linha” ou de errar sem ser humilhado pelo próprio professor da turma. Éramos, supostamente, educados e obedientes, na visão presente naqueles anos (década de 1960).
Algum tempo atrás, século XXI, segunda década, vimos reportagem de escolas brasileiras que foram colocadas sob a tutela de militares. Exigências comuns de meu tempo: uniforme impecavelmente branco, nem listras nos calçados eram aceitas, cabelos cortados como soldados, novamente a ordem unida como símbolo de obediência e disciplina, vozes de comando presentes como forma de “educar”, ginástica Sueca para todos.
Será que esta é a forma de favorecer o desenvolvimento humano, social, político e afetivo através da Educação Física? Será que vamos voltar a isso? Tenho enormes dúvidas, E vocês, o que vislumbram?
