Educação Física Escolar: precisamos de quadros não de quadras

Lendo os planos de governo apresentados pelos dois candidatos no Estado de São Paulo mais uma vez constatamos o distanciamento destes dos objetivos da Educação Física Escolar.

Um candidato

No campo específico da área da Educação encontramos:

18- Integrar educação, saúde, assistência social, cultura e esporte na rede estadual de ensino

A educação física escolar, que deveria atender às necessidades de movimento de todos e todas não é citado uma única vez. Repete-se as mesmices de quase um século sem que tenhamos um olhar ampliado e diversificado para este componente curricular.

16- Implantação da Base Curricular Comum na rede estadual de ensino fundamental e apoio aos municípios neste processo.

As propostas para a Educação Física Escolar foram e são objeto de questionamentos pelos docentes que indicam a reprodução dos mesmos equívocos e deslizes já sobejamente discutidos.

No campo do Esporte

4- Oferecer esporte de qualidade em todas as escolas estaduais, valorizando a importância da disciplina e promovendo atividades inclusivas.
5- Organizar as olimpíadas estudantis de São Paulo.

Os dois itens reproduzem os equívocos que fortaleceram o abandono das aulas para todos e viabilizaram o treinamento de equipes representativas em prejuízo das aulas.

Outro candidato

Não basta estar na escola: é necessário aprender. Vamos valorizar o professor, usar a flexibilidade do ensino técnico para dar mais empregabilidade aos jovens e estimular as atividades esportivas

Interessante observar que este plano fala apenas em atividades esportivas na escola e quando se reporta ao esporte, enquanto plano de governo específico, como abaixo exposto, reproduz a visão equivocada da finalidade do componente curricular na Escola.

Desenvolvido por meio de atividades complementares, palestras, aulas didáticas de hábitos saudáveis de higiene, prevenção às drogas e temas direcionados ao processo de desenvolvimento da cidadania, o Esporte reduz a evasão escolar, fortalece a consciência em formação e incentiva o estudo.

Enfim, nós professores de Educação Física Escolar carecemos de oportunidade para participar da elaboração de planos de governo em lugar dos ditos “esportistas” conhecedores do assunto. Raramente temos a oportunidade de ver um professor da educação básica dialogando com os responsáveis pela construção de planos.

Aliás, planos feitos exclusivamente do ponto de vista de marketing e calcados no senso comum e equivocado perenizado por sucessivos governos.

Não é?

Daniel Carreira Filho

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