Ano novo, surpresa velha…..

Iniciamos o novo ano com velhas, retrogradas e incoerentes decisões em todos os níveis de governo.

Em decorrência da extinção do Ministério do Esporte alguns “excelentes” governadores iniciaram o “apoio” ao governo federal extinguindo, em seus estados, as secretarias que cuidariam do esporte.

Alguém vê alguma novidade nesta ação? Certamente que não, especialmente os paulistas e paulistanos mais propriamente, que viram o resultado da entrega da então Secretaria Municipal de Esporte e Lazer de sucessivos desgovernos destruindo a estrutura e o pessoal técnico a ela atribuídos. Basta passear pelos chamados “espaços públicos para o esporte e lazer” da cidade de São Paulo para verificar o estado de abandono e ausência de mediadores (professores ou técnicos esportivos) exceto para aqueles raros espaços em que a iniciativa da sociedade civil (diga-se apropriação indevida em muitos dos casos) assumiu o controle das operações e oferta de serviços de lazer.

Pois bem, os passos que foram adotados por alguns estados na direção de vincular o esporte à secretaria de Educação demonstram a inexistência de clara visão sobre a finalidade das secretarias (a extinta e a que acolhe o esporte). Voltamos ao passado distante que se demonstrou prejudicial à Educação Física Escolar, sobejamente criticado neste espaço.

Certamente voltaremos aos campeonatos colegiais, ou escolares (numa proposta ampliada), financiados com verbas da Educação enquanto as quadras ou espaços de práticas para todos nas escolas continuarão sendo relegados. Os professores conclamados a formarem equipes representativas, lotarem ginásios, quadras e campos esportivos com um sem número de crianças e adolescentes privados da aproximação e apropriação das atividades da cultura corporal de movimento. Preparem-se, voltarão as modalidades esportivas que compõem o Quarteto Hegemônico. Ampliar-se-á o pugilato familiar de arquibancada e o “sedentarismo cultural” se fará presente.

A Educação de qualidade, pressuposto de alguns políticos (inclui-se o governado de São Paulo), exclui a Educação Física para todos e obriga a elitização esportiva unilateralmente valorizada para poucos.

Tenho esperança, forte de esperança em ser desmentido pelas ações futuras. Vamos aguardar sem, no entanto, nos calar.

A Educação Física Escolar terá muitos mais campos de batalha doravante. Como dissemos anteriormente, “Não precisamos de quadras, mas sim de quadros competentes na gestão da coisa pública”.

Daniel Carreira Filho

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